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Buy and hold: o que é? Entenda se é bom para você!

Buy and hold: o que é? Entenda se é bom para você!

Quando estamos começando a investir em renda variável tudo parece muito complexo. Vários nomes em inglês, diversas estratégias, riscos maiores do que na renda fixa. Porém, com o tempo vamos percebendo que não é tudo tão complicado assim. Hoje você vai ver como é simples investir pelo método buy and hold.

Vamos lá.

O QUE É BUY AND HOLD?

O buy and hold é uma estratégia de longo prazo para investimentos em renda variável. Simplificando, o investidor compra uma ação e a segura por um longo período de tempo obtendo ganhos com a sua valorização e com seus dividendos.

Contudo, é importante que a ação comprada seja de uma empresa boa. De nada adianta comprar uma ação de uma companhia falida, segurá-la e esperar o milagre da valorização.

Também vale a pena dizer que não é recomendável comprar a ação e esquecer que ela existe. Portanto, é interessante que o investidor, periodicamente, reanalise as empresas que compõem a sua carteira de investimentos e conclua se vale a pena manter o investimento.

Nesta estratégia, o investidor torna-se sócio da empresa que possui a ação. Assim, não vale a pena ficar comprando e vendendo as ações da companhia.

Como sabemos, as ações são pequenas frações das empresas. Portanto, ao adquirir uma delas, estamos comprando uma parte da companhia. Para quem investe utilizando a estratégia buy and hold, a ação não é um simples papel, mas o direito de se tornar sócio daquela empresa.

Dessa maneira, imagine que você tem uma padaria em sociedade com um amigo. Não seria qualquer mudança de cenário, positiva ou negativa, que faria você vender a empresa, seria?

Para adotar essa estratégia, você deve ter a mentalidade de sócio. Assim, o momento mais importante é o anterior à compra da ação.

Antes de fazer a compra você deve conhecer a empresa, saber se ela lhe agrada e se você tem interesse de ser sócio dela por anos. Não horas, dias ou meses. Apenas se você entender que sim é que a compra deve ser feita.

“Só compre algum ativo financeiro que você ficaria feliz em mantê-lo caso o mercado fechasse por dez anos”.

Warren Buffet

O QUE É ANÁLISE FUNDAMENTALISTA DE AÇÕES?

A análise fundamentalista de ações é aquela que é feita com base nos balanços das empresas. O investidor deve observar os resultados da companhia e definir se vale a pena ou não investir nela. O lucro líquido, a dívida, o EBITDA, os planos de longo prazo, entre outros, devem ser levados em conta.

Você se lembra que falamos que para adotar a estratégia do buy and hold de maneira adequada você precisaria analisar os fundamentos das ações? Então, é exatamente isso o que você deve fazer antes de se tornar sócio da empresa.

Exemplificando, você se tornaria sócio de uma pizzaria que só dá prejuízo? Acredito que você tenha respondido que não. Portanto, não há porque comprar uma ação de uma empresa que só dá prejuízo e está completamente endividada.

Dessa maneira, quando temos o pensamento de se tornar sócio da empresa, fica muito mais fácil investir em renda variável.

É essa a mudança de mentalidade que o investidor deve ter ao começar a investir em renda variável. Portanto, esqueça a ideia de que o investimento vai apenas subir. As empresas são organismos vivos e passam por altos e baixos.

Assim, fazendo a análise fundamentalista das companhias, você será capaz de entender porque o lucro subiu ou caiu, qual o motivo da dívida, a empresa está pagando dividendos (ou se há um motivo razoável para que isso não esteja sendo feito).

Para realizar a análise fundamentalista das empresas é possível acessar o site das próprias companhias. Todas as empresas listadas em Bolsa têm uma área de Relacionamento com o Investidor (RI) em seus sites. Os balanços das empresas costumam ficar expostos lá. Lembramos que os resultados são divulgados por trimestres.

Também é possível fazer essa análise por meio de site de terceiros, como o Fundamentus.

Análise fundamentalista, o que é?

O QUE FAZ UMA EMPRESA SER BOA PARA INVESTIR?

Alguns aspectos devem ser levados em consideração ao se escolher uma empresa para investir. Podemos citar os seus resultados financeiros, a sua governança, indicadores.

Entretanto, além destes fatores é interessante ter uma visão mais ampla. Portanto, tente observar qual é a perspectiva do negócio da empresa para os próximos anos ou décadas.

Antes de comprar uma ação, você pode tentar entender qual setor da economia mais lhe agrada ou o que parece mais simples para você. Exemplificando, temos o setor bancário, varejo, imobiliário, farmacêutico e assim por diante.

Imagine que você escolheu o setor bancário. Primeiramente, questione-se sobre a relevância do setor; se há expectativa de crescimento ou, ao menos, de manutenção da sua importância; como a evolução tecnológica pode impactá-lo e assim por diante.

Atenção!

Você não vai tentar prever o futuro, mas apenas tentar entender quais as perspectivas gerais do setor.

Portanto, provavelmente, você vai concluir que o setor bancário ainda será importante daqui alguns anos, pois as pessoas continuarão precisando lidar com dinheiro, etc etc. Dessa maneira, após isso, você deve pensar como a tecnologia pode impactar o setor.

Utilizando o exemplo dos bancos, vemos o crescimento de contas digitais, a maior facilidade de abertura de contas em corretoras, a diminuição de agências físicas.

Apenas com isso em mente você já vai ser capaz de reduzir a lista de empresas a analisar os balanços.

Feito isso, encontre os resultados financeiros dos últimos anos das empresas bancárias. Nesse momento, veja se a empresa possui lucros consistentes, se as suas dívidas estão controladas, se há uma boa margem líquida.

Uma empresa posicionada em um setor com futuro promissor, lucros consistentes, dívida controlada, entre outros aspectos financeiros, pode ser considerada uma boa empresa para investir.

BUY AND HOLD E OS CICLOS DO MERCADO

Como o buy and hold é uma estratégia de longo prazo, é possível que o investidor passe por diversos ciclos do mercado. Ou seja, enfrente períodos de alta e períodos de baixa.

Apenas como curiosidade, os mercados de alta são chamados de Bull Market (mercado do touro) e os de baixa de Bear Markt (mercado do urso).

Por isso, mantendo-se sócio de uma empresa por vinte anos, por exemplo, você enfrentará diversas situações. Ilustrativamente, quem comprou suas ações em 2001 já enfrentou duas grandes crises:

  • subprime em 2008;
  • coronavírus em 2020.

Porém, também já passou por grandes períodos de alta.

Na figura abaixo podemos ver um estudo realizado nos Estados Unidos que mostra justamente isso. Ou seja, usando o nosso exemplo, quem comprou ações em 2001, o fez em um ciclo de baixa. Tal ciclo iniciou em 1999 e durou por 2,1 anos.

Depois desse período houve outro de 5,1 anos de alta, encerrando na crise de 2008. Este período de baixa perdurou por 1,3 ano, seguido por um ciclo de alta que permaneceu até o final do estudo, em 2018.

Hoje podemos dizer que o último ciclo de baixa foi o coronavírus.

ciclos do mercado
Fonte: First Trust

Perceba que mesmo durante os períodos de alta, não há uma subida constante. Com base nisso, muitos dizem que a Bolsa costuma “subir caindo” no longo prazo. Ou seja, durante as subidas existem quedas menores.

Entretanto, o que interessa é que para vencer essas variações e os ciclos do mercado de baixa, o investidor deve manter a constância nos investimentos.

Portanto, durante os ciclos de baixa, ao invés de se desesperar e vender suas ações, o investidor deve continuar comprando ações de empresas boas.

Este é um dos motivos que faz com que não seja interessante o investidor acompanhar frequentemente o preço das ações.

BUY AND HOLD É UMA BOA ESTRATÉGIA?

O buy and hold é uma boa estratégia para quem pensa em investir para o longo prazo. Por isso, é importante sempre tomar cuidado para não se deixar levar pelas oscilações do mercado.

Como vimos, as quedas são frequentes e as enormes quedas existem. Porém, os períodos de alta costumam ser maiores, trazendo benefícios para o investidor.

Vantagens do buy and hold:

  • 1 – menos custos: imposto de renda, emolumentos, corretagem;
  • 2 – reinvestindo os dividendos é possível se beneficiar dos juros compostos;
  • 3 – acúmulo de patrimônio em valor;
  • 4 – geração de renda passiva;
  • 5 – diminuição de riscos na renda variável;
  • 6 – simplicidade: os resultados são trimestrais e muito dificilmente uma empresa boa coloca tudo a perder em um curto espaço de tempo. Você será capaz de observar uma eventual queda de qualidade da companhia, se ela existir, mesmo que faça a análise dos balanços apenas uma ou duas vezes por ano.

Desvantagens do buy and hold:

  • 1 – possíveis perdas de lucros no curto prazo;
  • 2 – impossível prever com absoluta certeza o futuro da empresa;
  • 3 – o investidor deve ter paciência.

INVESTIR NO LONGO PRAZO É ARRISCADO?

Como todo tipo de investimento há risco no investimento de longo prazo. Se alguém lhe diz que um investimento não tem risco, tome cuidado, é provável que seja um golpe.

Entretanto, o investimento de longo prazo costuma ser menos arriscado do que o de curto prazo. Isso porque, geralmente, os investimentos de longo prazo possuem uma base mais forte. Ou seja, a análise dos fundamentos da empresa, perspectivas futuras, governança e assim por diante.

Por outro lado, o investimento de curto prazo costuma deixar tudo isso de lado e apostar em uma expectativa de variação de preço que pode ou não acontecer.

Dessa maneira, pode-se dizer que o investimento de longo prazo tende a ter um risco menor. Porém, um cuidado extra que o investidor de longo prazo deve ter é não se emocionar com o investimento e se desfazer dele em um período curto. Ao fazer isso, o investimento de longo prazo se torna de curto, não fazendo sentido adotar a estratégia do buy and hold.

QUANDO VENDER UMA AÇÃO NO BUY AND HOLD?

Esta é a pergunta mais difícil de se responder quando falamos de buy and hold. Há quem defenda, inclusive, que uma ação nunca deve ser vendida, mesmo que a empresa se torne ruim.

Entretanto, pensamos que esta resposta deve variar de investidor para investidor. Assim, caso você entenda que deve vender as ações quando a empresa deixar de ser boa (cumprir os seus requisitos de compra), faça isso.

Porém, nesta situação tome cuidado para não estar sendo levado pela oscilação do preço. Seja um analista de fundamentos e não um analista de preços de ação. Isso pode jogar por terra toda a sua estratégia.

Outros podem entender que uma ação deve ser vendida caso tenha uma valorização muito grande. O problema desta análise é que ela leva em conta mais o preço do que os fundamentos da empresa. Portanto, contraria a base da estratégia que é se basear nos resultados da companhia.

Todavia, se a valorização foi tão alta que deixou uma determinada empresa representando uma parte muito grande da sua carteira e isso está lhe deixando preocupado, a venda de parte das ações pode ser aceitável.

Ainda, há quem diga que quando o investidor estiver mais idoso, poderá ser razoável vender algumas de suas ações para reinvestir o dinheiro em ativos mais seguros. Outros dizem ser possível vender parte das ações, inclusive, para desfrutar da vida quando o patrimônio já for bastante grande para isso.

Dessa forma, percebemos que assim como os critérios de compra da ação devem ser tomados única e exclusivamente pelo próprio investidor, os de saída também pertencem apenas a ele.

CARTEIRAS RECOMENDADAS BUY AND HOLD: POR QUE FUGIR?

De maneira geral entendemos que o próprio investidor é quem deve definir quais ações comprar. Não seria estranho ter alguém dizendo para você comprar a Padaria da Esquina e vender a Pizzaria da Rua de Baixo? O mesmo vale para as ações.

Ademais, como vimos em todo o texto, o método buy and hold baseia-se na análise pessoal de cada um. É possível que existam empresas boas que não fazem sentido para alguns investidores por algum motivo.

Imagine que uma empresa cumpra todos os requisitos financeiros, de perspectiva e governança para uma pessoa. Mas, ela é uma empresa que fabrica cigarros e este investidor é totalmente contra a existência desse produto. Faz sentido para ele se associar a essa empresa? Acreditamos que não.

Da mesma maneira, muitas das tais carteiras recomendadas mudam a sua composição a cada semana ou mês, por exemplo. Contudo, isso foge ao básico do buy and hold. Ou seja, comprar e segurar pensando no longo prazo.

Cada investidor é único e por isso as carteiras devem ser únicas.

REGRAS BÁSICAS PARA O BUY AND HOLD

Dessa forma, podemos listar algumas regras básicas para o buy and hold:

  • 1 – analisar os fundamentos da empresa antes de comprar a ação;
  • 2 – diversificar a carteira de investimentos, não sendo sócio de apenas uma companhia;
  • 3 – ser consistente nos investimentos, comprando ativos todos os meses, inclusive reinvestindo os dividendos;
  • 4 – ter em mente que você é sócio da empresa e não apenas possui um papel;
  • 5 – ser paciente, pois os resultados costumam aparecer no longo prazo;
  • 6 – não deixar que a variação do preço da ação seja um termômetro para definir a qualidade da empresa;
  • 7 – resistir aos períodos de queda do mercado.

CONCLUSÃO

Assim, podemos concluir que a estratégia buy and hold pode ser muito boa para quem deseja investir no longo prazo. Ela pode trazer benefícios àqueles que têm paciência e não se importam com os ciclos do mercado.

Além disso, tornar-se sócio de uma empresa pode gerar crescimento de patrimônio por meio da valorização das cotas e do pagamento de proventos.

Portanto, após ler esse texto, você está apto a decidir se esta estratégia é boa para você ou não.

Sobre o Autor

Felipe Piacenti
Felipe Piacenti

Sou Felipe Piacenti, advogado com larga experiência em planejamento de aposentadorias. Pós-graduando em Planejamento Financeiro e Finanças Comportamentais pela PUCRS.

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